Terça-feira, Setembro 09, 2008

Beleza do momento




















Não sei, não o saberei nunca.
De que serve querer enganar-me a mim mesma?
Nenhum rito secreto mo dirá.
Nenhuma sabedoria estranha. Nenhuma lenda.

Não existe nem no céu físico nem no céu imaginário,
Nenhum Sol ou Lua que possa erguer-se sobre esta terra,
E fazer-me nascer outra diferente daquilo que sou.

Não recomeçarei a vida,
Nem no primeiro dia do ano que se aproxima,
Nem em qualquer outra altura,
Aqui ou noutro sítio qualquer.

Apenas uma oportunidade me é dada.
A de continuar a viver esta vida que tenho,
A minha vida de mulher que não sabe!
Não é possível ser-se feliz sem saber…



Lagoa_Azul


Quinta-feira, Outubro 04, 2007

Lua...
















Lua,
tu que brincas comigo, ao jogo da vida.
Caprichosamente, te escondes, e foges…

E quando penso que de mim, já estás esquecida,
lá voltas de novo, e comigo iluminas,
as voltas da vida, que julgava perdida.

É tão grande o teu brilhar!...
Meus olhos de ti, não consigo desviar,
pois um dia por ti, Lua …deixei-me encantar.

Depois desse dia, bastou-me um suspirar,
e os meus braços se ergueram, para te conseguir tocar.

E depois lá voltaste, ao teu jogo da vida,
de brincares de escondida, sem o teu luar me dar…

Mas tu sabes ó Lua, que não é pela partida,
que devemos chorar?!...para isso basta a vida.

E pela tua chegada, vou sempre celebrar,
porque tu és a Lua, das minhas noites de sonhar!...



Lagoa_Azul

Quinta-feira, Junho 21, 2007

Murais ocultos...

















Estou absolutamente convicta
Que as sombras rabiscadas na parede
Não são mais que telas pintadas
A traço negro de carvão vegetal
Cujo autor é o cobarde exemplar
Corajoso de tracejados jogos mórbidos.

Absolutamente convicta de que,
Nem o luar das estrelas nem o brilho da lua
Passeiam-se no mediano índice
Servindo-se da perspectiva
Dos instantes cruéis da existência

Ao observar o vulto que se forma
Dar-me-ei ao benefício da convicção
De que o escuro resplandece e,
Se imobiliza na esquina do mural
Pois não é mais que folha morta
Do livro de poemas enegrecido.

Convicta, atrevo-me a pronunciar
Tenho medo! Aterrorizo a cada crepúsculo.
As sombras sempre são o meu pavor
E cobrem a mente na escuridão do leito
Quando ilustro uns traços na parede.


Lagoa_Azul

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

Inversão temporal...
















No jejum da noite
Relógios saciam-se
Devoram expectantes
Invasões vagarosas
Que excedem ao dia.

Aturdidos no leito do rio
Os minutos afogam-se
Remoinhos de horas
Unem-se em cardumes
De segundos oprimidos.

Laçam-se ponteiros
Inversos á foz afluente
O tempo engasga-se
Haste entalhada na água
Dique inundado pendular.


Lagoa_Azul

Sexta-feira, Janeiro 12, 2007

Essência do olhar…
















O completo domínio da essência
Sente-se em pequenos instantes!...
A vida é partilha de ruidosos olhares.

Profundos olhares, cúmplices num riso.
Meditar o belo é disputar utopias ardentes,
É esgrimir duetos em melodias silenciosas.
Insignificantes são os motivos do cântico
Vista a exclamação da purificada alma.

Soberania suprema, olhar momentâneo
Fecham-se os olhos, fixa-se a alma no eterno!



Lagoa_Azul

Segunda-feira, Setembro 25, 2006

Sol de Inverno...














Presenteia-me a certeza de um Sol de Inverno
Água de um mar sereno aquece-nos os corpos

Despimo-nos na paixão de gotas nuas ao luar.
Semente híbrida latente e crescente em nós
Orvalho secreto nos olhos da tua alma genuína.
Cal viva em ebulição, no cântaro hirto de pureza
Horas esquecidas para a estela brilhante maior.

Dádiva suprema, esse Sol que serpenteia o vulcão
Explode nos sulcos onde te habitas longinquamente,

Emoções florescem, regadas na desordem das nuvens
Rosto transparente destruído por cúmplice corsário
Nosso Amor-perfeito reflecte a sintonia das ondas.
Consagramo-nos a longas noites em esperas veneradas.



Lagoa_Azul

Sexta-feira, Setembro 08, 2006

Terror sublime…

















Rangem passos solitários,
na casa deserta árida de fragrâncias.
O soalho verte lágrimas
envernizadas de nostalgia intacta.
Ecoam ainda, no túnel da presunção,
risos distraídos de menina mimada.

Residem-se tantos fantasmas
no sótão do lar ilusório.
Acorda-se o vento,
terror sublime de se ser humano.

Na sala, janta-se utopias entopes,
sob o prato prateado, no clarão do olhar.
Bebe-se da alma
por cálices severos, numa cadência ácida.
A sobremesa são pétalas de lírios,
transparentes sabores em dadiva sorvida.



Lagoa_Azul



Sei-me...

  • Chamam-me... Lagoa_Azul
  • Respiro-me em...Santarém, Ribatejo, Portugal
  • …um mar em dia de tempestade, uma lua em noite estrelada, um rio em busca de caminho, uma lagoa em momentos de calmaria…
Revelo-me...

Melodia escutada...

  • Joe Bongiorno - Chasing The Wind

Águas revoltas...

Águas passadas...

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